Dogging peep show

April 2, 2007 por jana

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Menina-peep-show, corpo todo pose-click, uns dedos no cabelo, um biquinho-beijo, olhar lânguido, pose de puta, às vezes ninfeta, querendo ser musa Nabokov. A janela do quarto era palco. A janela do quarto lilás, cheio de fotos suas espalhadas pelas paredes, de ursinhos que ela guardava entre as pernas, fazendo o vizinho do 1502, do prédio tom pastel ao lado, cansar as mãos e economizar no Pay-per-view pornô. Menina-peep-show pega a mochilinha da Hello Kitty, veste a blusinha da Betty Boop, deixando a barriguinha malhada com piercing de pedrinhas e a tatoo da moda, estrelinhas e flores, aparecerem e desaparecerem no andar ritmado do pé-pós-pé tipo model. Menina-peep-show vai mergulhar o corpo na pista de dança, na noite-neon, na música alta e nos olhos dos homens, que malham a semana inteira para mostrar o abdômen definido debaixo da blusa de grife e do correntão brilhante. E ela chega e se espalha.

Ela pega o drink colorido no bar, um azul brilhante que combina com as pedrinhas do piercing. Puxa um cigarro, faz cara séria, vira luminária, atrai os olhares-insetos, uns olhares sugados pelo brilho e que morrem na proximidade do corpo da menina. Um a um ela vai dispensando. Ela quer o melhor. Ela quer o resultado da seleção natural, como na matéria da escola, que ela ouvia mascando chiclete e ajeitando a franja, só para ver o professor suar mais que o normal. Ele chega. Ela sabe que é ele. O corpo todo agora é uma ondulação. Ele é todos dedos na cintura e nos cabelos dela. Língua-língua. Goles no azul. Língua-língua. Eles saem da pista.

Ele tira as chaves do bolso, olha na direção das mesas. Os amigos levantam o dedo. Uns risinhos sacanas. A menina vai na frente. Ele paga as comandas e os dois vão para o carro. Estacionamento-motel, meio drive-in. O que se passa nas janelas dos carros são os filmes, algo meio 3-D, com a diferença da interatividade. Quem está ali sabe o que quer e quem não sabe descobre. A blusinha Betty Boop ela guarda no volante. Ele já é um pau descoberto, só esperando por ela. Língua-mamilo. Sexo-sexo. Ela fazendo gemido-teatro, cara de uoww e ele lá, com ela em cima rebolante. Umas sombras do lado de fora. Umas mãos pedindo para ele baixar o vidro. Ele liga o carro e o vidro desce. Os amigos, olhares insetos, vieram atraídos pelo corpo-neon. “Curte dogging?”. “Que?”. “Relaxe”.  Os vidros abertos, os dois amigos, um em cada janela, esperando a menina-peep-show deixar as reticências no porta luvas. Ela aceita, sem saber o que é. Amanhã vai no google e descobre. As calças abertas, paus e mãos livres. “É só pra olhar, né?”. Ele não responde, ela então continua. Um formigamento na barriga. Queria agora a cama e o edredom, mas continua. Os amigos deles pedem pra tocar. Ela deixa. O formigamento na barriga aumenta. Ele dentro dela, as mãos do outro nos seus seios, a mão do terceiro sacando uma máquina-digital-filmadora sem ela ver. Ela está de olhos fechados. Prefere não ver que os outros todos estão com os olhos e as mãos nela. E o terceiro vai gravando, enquanto a outra mão desliza no pau. Aquele que é o palco suporte das rebolações da menina goza. Aquele que toca os seios da menina goza. E tudo vai se desmanchando em branco, menos ela, que agora é toda formigamentos.

A menina-peep-show abre os olhos e pede a camiseta da Betty Boop. Veste. Finge confiança, não percebe a máquina sendo guardada rapidamente. Zíper fechado um por um, os amigos desaparecem, retornando ao bar-lounge-boate. Ela pega a mochilinha Hello Kitty, desce do carro e finge não estar à procura de um taxi, mas logo que avista o primeiro, entra, diz o endereço, engole choro, desce, paga e se joga no edredom com flores em alto relevo. Amanhã a menina acorda e o dogging vai parar na busca do google. Enquanto isso, horas mais tarde, o do zíper-máquina-mão passa o filminho caseiro para o pc e a menina agora dança suor, uma atração a mais para download, estrela de um dia no Youtube. A cortina do quarto agora dorme fechada.

(Texto publicado em 27 de agosto de 2006 no Brutti).

5 comentários

  1. PsychoPenguin diz:

    Mô, esse sem dúvida alguma está na lista dos seus textos que mais gosto.

    Essa coisa foteenha de hoje em dia é tão bem colocada aí.

    :*********

  2. carol diz:

    te vinga, janis, que tu sempre quis pôr uma foto para ir com esse texto!

    beijos e saudades.

  3. Janaína Calaça diz:

    Sim, Carol, me vinguei! Huhuahuahauhua! Demorou para eu encontrar uma foto tosca e bacana, que casasse com a tosqueira do texto! ;)
    Beijos

    Jana

  4. Pollan diz:

    e o vizinho continua economizando no Pay-per-view pornô. agora ele ver no youtube, ou no pornotube.

    =)

  5. Lika diz:

    Superficialidade e modismo versus choques. Beijos!

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