Tatuagens, subjetividades e modismos
(Essa foto aí é da minha 5ª tattoo. Quando minha máquina deixar de ser birrenta, tiro fotos das novas e posto).
Esta semana eu estava batendo um longo papo com uma grande amiga de Sampa, a Lika, que está se preparando pra fazer a primeira tattoo. Não falo de uma preparação apenas relacionada à dor e ao que significa ter uma imagem eternizada na carne ao longo da vida. A preparação vem também da escolha do desenho e da significação que ele tem para as pessoas. As escolhas são subjetivas e o motivo pelo qual uma pessoa escolhe um símbolo, uma imagem, uma palavra, tem haver com a história pessoal daquele indíviduo, que sentiu necessidade de somar mais um item à sua construção identitária.
Sabemos que a forma como a tatuagem está sendo vista hoje já passou por um período forte de mudanças. O preconceito em relação às pessoas tatuadas ainda existe, mas acredito que numa escala muito mais suave do que a de anos atrás. A tatuagem estava sempre associada à uma imagem negativa, era marginalizada e muitas vezes restrita a determinados grupos. Hoje, no entanto, podemos perceber que houve um boom das tattoos e o que mais vemos é gente riscada por aí. Minha mãe outro dia me perguntou: - “Filha, você já parou pra pensar que na minha idade você terá o corpo todo tatuado?”. Eu respondi então: -”Mãe, eu e boa parte da minha geração”. Resolvi escrever sobre essa experiência, porque ontem passei por uma sessão para adicionar mais duas tattoos ao meu corpo, coisa que me dá um prazer grande e eu abstraio o incômodo, a ardência e às vezes até a dor, quando se trata de um local mais sensível, para poder ter no meu corpo imagens que fazem parte do meu imaginário e da minha construção como indíviduo.
Atualmente, tenho sete tattoos espalhadas e pretendo ainda fazer mais. Lembro que sempre quis me tatuar, mas como sou fóbica em relação às agulhas, havia um limite, algo que me impedia de entrar em um estúdio, sem imaginar o tipo de reação que eu teria diante das tais agulhas. Fábio foi quem me incentivou a vencer o medo, a me controlar em nome de algo que eu desejava para mim. Na época, ele já tinha três tattoos e o meu corpo era um papel branco sem rabiscos. Entrei no estúdio do Ailton (Dragon Art Tattoo), localizado em Brotas, na cidade de Salvador, e quase desisti na hora. Eu fui decidida a fazer o 80’s (Anos oitenta) nas costas, porque há vários anos cultuo filmes, canções, séries, desenhos e outros elementos relacionados à época, que nada têm haver com um outro boom modista em relação ao revival do anos oitenta. No mesmo dia decidimos tatuar nossas iniciais, como uma espécie de aliança maluca, por acreditarmos, depois de “trocentos” anos de relacionamento, que dava sim para crer que nos entendemos o bastante para permanecermos juntos. Qualquer coisa, eu transformo o F em “Foda-se” e ele transforma o J em, sei lá, jegue, bicho que ele cultua e admira.
Suando, pingando de medo, sentei na cadeira e esperei por um chilique meu, mas não veio. Segurei a onda, controlei ao máximo minha fobia e, enquanto as agulhas riscavam a pele, eu repetia um mantra que deu certo: “Não é agulhaaaaaaa, é um lápis… Não é agulhaaaaaa, é um lápissss”. Depois que tatuei o F e vi que a dor é suportável, tatuei depois o 80’s e aí pronto, acabei viciando. Será que é algo na tinta? Acredito que não. Comecei a procurar outros elementos, que faziam parte do meu imaginário, e pensar seriamente em trazer isso à tona através das tatuagens. Gosto muito de tubarões, mas não me imaginava com um bichano tatuado no corpo e olha que meu fascínio por estes animais não é pequeno. Uni então a minha paixão por eles à minha paixão por um desenho da década de 80, o Tutubarão, e pronto, lá está ele tatuado na minha perna esquerda. Minha quarta tatuagem foi um presente carinhoso de Carol Custódio. Ela me desenhou meio pin-up e hoje a Janinha mora na minha carne na perna direita. Tatuei depois o Snoopy no ombro direito, por ser um personagem de quadrinho que se destaca pela personalidade forte e independente, pontos que admiro em um ser humano. Ontem, entrei mais uma vez no estúdio e fiz a Leela, personagem do Futurama, desenho assinado pelo criador dos Simpsons, Matt Groening. Adoro a Leela, por ela ser uma mulher forte, mas ao mesmo tempo dotada de grande sensibilidade, por ser perspicaz e linda, mesmo não sendo um padrão. A sétima foi um desenho estilizado de um coração ligado à estética rockabilly, que me atrai muito. Muito vermelho e uma chama das quentes coroando tudo, porque tem que se ter muita paixão pelas coisas que nos propomos a fazer, a construir.
Tudo que resolvi eternizar (relativizando o sentido de eternidade, já que minha carne é perecível) foi escolhido de forma consciente e que tivesse ligação com minha construção c0mo sujeito. Nunca me tatuei porque um artista de televisão o fez ou porque é última moda entre os fashionistas. Não condeno ninguém que o tenha feito, mas é um caminho perigoso a tomar, já que a possibilidade de arrependimento é grande. Tatuar-se não é como mudar o corte de cabelo de acordo com as tendências. Para cabelos há jeito, para tatuagens só laser e olhe lá. Por isso, deixo uma dica aos marinheiros de primeira viagem! Escolham aquilo que tem haver realmente com você e não aquilo que está apontado como sendo bacana. Temos que trazer para nosso corpo o que julgamos adequado a ele. Tentar se ajustar a modelos pode funcionar como uma violência à nossa própria subjetividade. Há tanta coisa espalhada nos nossos álbuns internos, nos nossos catálogos de memória, que podem render imagens, símbolos e textos muito bons. Se é moda tatuar cogumelos alucinógenos, só tatue-os caso você tenha certeza de que aquilo é parte da sua construção identitária ou se é apenas uma estampa de uma tendência passageira, que escondemos no fundo dos armários quando a moda passa.
Quer se tatuar em Salvador e não sabe pra onde vai? Bom, indico o estúdio do Ailton, que foi onde fiz todas as minhas tatuagens. O estúdio localiza-se em Brotas. Procurar Ailton ou Tiago. O telefone do estúdio é (71) 3244-4000. Av. D. João VI, 13, Sala 105. Brotas. Salvador-BA. E-mails: ailtonme@terra.com.br/ ailtonart@hotmail.com


June 5th, 2007 at 3:57 pm
Mô, acho que vou tatuar um jegue e um tribal! ehehehehehehehehehhe
Falando sério, ter te apoiado na primeira tatuagem é uma coisa que me deixa muito orgulhoso, pois provei pra você que é possível vencer os medos infundados que temos por aí. Sejam eles agulhas ou monstros cabeludos que moram embaixo da cama.
Amo tu!
PS: não vai publicar as fotos das tattos novas sem me mostrar antes não viu? Eu tenho que ter preferência sobre o povão.
June 6th, 2007 at 1:35 am
Vilge, e fez duas de uma vez foi?? Já sei, foram os cogumelos de novo… Ei, não escolhi ainda o possível desenho pra uma ainda teórica tattoo. Mas mande as fotos das novas tattoos. Uai, foi antes da fora, foi? Tu disse que ia hoje…Manda notícias. beijos!
June 6th, 2007 at 1:36 am
ops, quis dizer antes da hora, vc tinha marcado pra hj né rsrs
June 9th, 2007 at 3:35 pm
linda essa interpretação feita pela Raposa Vermelha, Jana.
A energia que emana dela é da boa.
não tinha pensado ainda em ver esse desenho tatuado no seu corpo…
maravilhoso!
felizes dias !
June 13th, 2007 at 11:56 pm
Sabe Jana, que lendo teu post, me deparei com uma situação até engraçada e paradoxa.
Meu irmão mais velho é tatuador, tem um estúdio há um bom tempo. E não é porque é meu irmão que vou “puxar a sardinha” para o lado dele. Rs. Não. Mas ele realmente é bom no que faz.
É bem provável, que ao saberem disso, as pessoas tentem encontrar pelo menos algum risquinho nesta pessoa que vos escreve, nem que seja mínimo, rsrsrs. Mas eles simplesmente não existem, rs.
Fato esse tão anormal para alguém com tamanha facilidade para fazer uma tattoo…As pessoas sempre me questionam a respeito disso.
Mas é como você mesma afirmou,tatuar-se deve ser algo além do que um simples modismo. E com certeza, antes de qualquer outra motivação, deve ser feito de forma consciente. (Uma das minhas razões para não ter feito um único risquinho sequer, rsrs).
E quanto ao preconceito, sei bem como é, porque ainda que indiretamente, sou obrigada a lidar com ele. Rsrs, não são todas a pessoas que encaram com tanta naturalidade ter um irmão cuja a profissão é tatuador… Um irmão engenheiro, médico, é uma coisa, mas tatuador, na visão deles…”Isso lá é profissão?” - são os comentários.
Por esta razão, o preconceito existe sim, entretanto não apenas em relação aos que se aventuram a fazer uma tattoo, mas também em relação aqueles que fazem dessa arte sua profissão, ganha-pão mesmo.
No dia em que tomar coragem para fazer a minha, e tiver absoluta certeza do que é tão importante para que eu possa eternizar, quem sabe…rs. Venho aqui e te mostro, rsrs. =)
Beijocas!
March 29th, 2008 at 9:30 pm
Oi,Linda Tattoo!!! =D
Eu to aqui na Net. procurando algumas referências sobre tattoos, ou melhor, sobre pessoas que refletem sobre o significado delas.
Estou passando por uns problemas com relação a isso.
Eu entendo tatoagem como uma complementação na nossa identidade. Ligo á coragem, de expor o que te faz feliz, ou triste. Teu corpo, teu templo.
Bom, eu sempre quis fzer um dragão magestoso nas costas (entre a marca do sutiã e a lombar, começo da nádega)Fui no meu tatuador (pois já tenho uma linda borboleta e uma flor atras da orelha direita)e ele desenhou o meu dragão dos sonhos. Amei!
Na hora de perguntar a opiniao do meu marido (ate por questoes financeiras) a postura dele foi diferente da que eu imaginava, ele se mostrou contra. Argumentos: Pode influenciar negativamente no meu profissional(agravante, faço psicologia, e as pessoas tem preconceitos).
Bom, estou buscando outras interpretaçoes.
October 24th, 2008 at 2:36 pm
Oi deu serto pra mimm
Oi,Linda Tattoo!!! =D
Eu to aqui na Net. procurando algumas referências sobre tattoos, ou melhor, sobre pessoas que refletem sobre o significado delas.
Estou passando por uns problemas com relação a isso.
Eu entendo tatoagem como uma complementação na nossa identidade. Ligo á coragem, de expor o que te faz feliz, ou triste. Teu corpo, teu templo.
Bom, eu sempre quis fzer um dragão magestoso nas costas (entre a marca do sutiã e a lombar, começo da nádega)Fui no meu tatuador (pois já tenho uma linda borboleta e uma flor atras da orelha direita)e ele desenhou o meu dragão dos sonhos. Amei!
Na hora de perguntar a opiniao do meu marido (ate por questoes financeiras) a postura dele foi diferente da que eu imaginava, ele se mostrou contra. Argumentos: Pode influenciar negativamente no meu profissional(agravante, faço psicologia, e as pessoas tem preconceitos).
Bom, estou buscando outras interpretaçoes.
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Robo de mim né odeio vcs
q tranzar comigo