Aurora

July 13, 2007 por jana

Retoco os fios para me confundir à aurora,
que chega laranja-vermelha,
adentrando minha janela
e pousando firme no meu ombro nu,
úmido ainda pelo banho recente.

Engano-me em pensar que a aurora
apenas mora no horizonte.
A aurora mora em mim,
a me lembrar que a cada segundo entardeço
e me aproximo um pouco mais
da noite dos olhos fechados.

Não ter o que fazer a esta hora do dia,
em que o sol adormece e a noite se faz,
te ajuda a pensar que seu corpo é passagem,
que seus olhos vêem hoje paisagens
e amanhã poderão não vê-las mais.

Leio notícias para conhecer mais o que não se conhece,
pra ganhar intimidade com a noite do corpo,
mas quanto mais leio,
mais dói saber que um dia perderei tudo,
um último suspiro e tudo se vai,
como o sol se põe no horizonte
sem ser notado por estes nossos olhos despreparados.

Foda-se o ciclo da vida,
as aulas de biologia,
o nascer-crescer-morrer,
eu quero ser reticente,
me perder no nada,
com os dedos entrelaçados,
com as pernas misturadas,
por isso fito esta aurora externa,
este pôr do sol repetitivo,
para esquecer um pouco do meu próprio entardecer,
dos minutos que passam,
da vida que escorre
e da dor que é viver sabendo-se finito.

3 comentários

  1. Lika diz:

    :( Caim…
    Ânimo, amiga. Olha só que me ocorreu ontem. Espero que eu não me prejudique ainda mais por isso. Beijos!
    P.S. Estarei sempre por perto.

  2. Lika diz:

    Viver é dor. :(

  3. Andressa diz:

    É dor, mas não todos os dias.

    Auroras são exuberantes por si só. E geralmente nos dão a sensação de uma força e explosão de cores incríveis. Então, simplesmente, amanheça. Coragem,amanheça…

    Beijocas!

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