Os cinco que me deixaram de quatro
Paulo Castro jogou a peteca para Canunina e Canunina veio com duas peteconas e me pediu mais uma. “Vamos, Janis, diz aí os cinco livros que te deixaram de quatro”. É uma corrente sim, mas não vou ter azar se não responder. Vou ser é besta mesmo!
Lá vai então!
- Crônica de um amor louco (Charles Bukowski);
Já ouvi tanta merda sobre Buk, tanto reducionismo que coloca qualquer pessoa, que ainda não conhece sua obra, na defensiva. De misógeno à simples bêbado, esses aí são os adjetivos mais atribuídos ao velho safado. Para ler Buk não é preciso muito. Ele não é do tipo existencialista-oh-como-viver-dói, ele apenas vive cada dia, cada trago, cada gole, cada gosto diferente das bucetas que se abriram em sua frente. Ele vive, sim ele vive, imortal lá entre seus alter-egos, numa mesinha de bar, vendo os cavalos correrem na pista, levando pensamentos longe. Intensidade, baby, é isso que se sente quando lemos Buk… Humanidade, é isso que completa tudo e que permeia não só este livro de contos em especial, como também o Fabulário Geral do Delírio Cotidiano, Mulheres, Numa fria, etc.
- Já podeis da pátria filhos (João Ubaldo Ribeiro);
Um dos livros mais divertidos e ao mesmo tempo sérios que já li. É uma reunião de contos que mexe profundamente com questões de formação de identidade e que mostra esse processo em mão dupla. Somos construídos pelo outro, somos… Mas também construímos o outro. Um livro para ler em uma tarde risonha, mas que fica ecoando.
- Verão no aquário (Lygia Fagundes Telles);
Foi o primeiro livro da Lygia que li e foi ele quem me fez desencadear uma verdadeira paixão pelos livros da autora. As relações entre os personagens de Verão no aquário é profunda e nos faz voltar nossos olhos e atenção para as próprias relações que estabelecemos com aqueles que fazem parte de nossos dias. Lygia é delicada, mas é como os felinos, guarda lâminas entre a delicadeza. Ela pisa delicadamente em feridas e quanto mais as feridas sangram, mas ela ajuda o vermelho aparecer.
- Antes que anoiteça (Reinaldo Arenas);
Conheci Arenas através de dois amigos. Antes que anoiteça narra os dias de Arenas em Cuba. Sua vida até sua morte, vítima não somente do HIV, como também e principalmente pelos maus tratos do regime Castrista. É um texto denso e que nos remete a uma viagem sensorial àqueles dias de sol e lama. É um livro fundamental para quem crê no significado profundo do que é ser livre.
- Histórias de amor (Rubem Fonseca).
É um livro de contos e, como antecede o título, que trata de histórias de amor. Mas, não espere açúcar em excesso, bolhas de sonho e balões de suspiros. Histórias de amor é um livro que traz a outra face dos romances. A face mais humana, menos idealizada. São histórias que te fazem mergulhar até tentar chegar ao fundo do outro, sem saber se nesta viagem você conseguirá novamente voltar ileso para a superfície.

August 1st, 2007 at 12:46 am
[…] Janaína Calaça […]
August 1st, 2007 at 1:46 pm
Jana, é até engraçado essa onda que se formou em torno de diminuir e desmerecer a obra de Buk. É uma onda antiga, mas tenho visto ela ganhar força: não passa de um bêbado; esteve e estará a margem dos escritores de sua geração, etc… Acho a simplicidade narrativa dele de uma eficiência incomodante! Sem mencionar o seu despojamento - creio que essa postura venha incomodando os conservadores que só aceitam o papai-mamãe nas páginas que lêem!
Um dia de cada vez, como vc disse! Destaco Factotum, que eu gosto muito!
Cinco autores que leio sempre - a Lygia conheço menos, mas alguns contos dela me tocaram. Tem um, em especial, de uma reencontro de classe, com a professora já idosa qua usa um chapéu estranho com uma flor enorme… Li há muito tempo e nunca esqueci da humanidade daquelas pessoas!
Abraços para ti!
August 7th, 2007 at 8:09 am
Seu título é que foi de deixar de quatro… rs…
Beijos do Ale.
August 10th, 2007 at 10:59 am
Fiz a minha mas ela me parece tão comportada perto da sua rsrsrs. Tenho que ler coisas menos canônicas rs. Beijo