Ausente
Ando ausente de mim,
como se tivesse pedido licença para me lavar por dentro,
tirar toda poeira-sujeira,
arder ao sol,
e ter esquecido de colocar tudo de volta.
Só restou o oco,
vazio-eco.
Alguém ainda mora aí?
O eco me traz a pergunta de volta
e eu fico sozinha novamente sem as respostas.
Onde me deixei?
Onde abandonei meus sonhos?
Eles estão por aí,
cantando boêmios a noite fria-brilhante,
enquanto eu espero que eles retornem
para dentro de mim,
corando minha face,
acendendo meu sexo.
A espera não termina.
Enquanto isso, a comida esfria no prato,
o cachorro abana o rabo depois de mijar o tapete,
o barulho da cidade me lembra a toda hora
que estou viva,
ainda pulso,
ainda quero,
mas até quando?
Ando ausente de mim,
sim, tirei-me de dentro para arejar a vida,
mas o vazio precisa de preenchimento.
Ele aceita deixar de ser por mim,
abrir mão de ser o nada,
sacrifício-altar,
para que eu seja novamente
a menina que queima vermelha,
por dentro e por fora,
mulher carregando no corpo
um balaio fumegante
de novos e velhos sonhos,
aromatizando de vida
a imensidão invisível do ar.

August 18th, 2007 at 12:51 am
I understand you.
Caim
August 20th, 2007 at 2:12 pm
Eu também, eu também…
RR entenderia “E há tempos o encanto está ausente, e há ferrugem nos sorrisos
E só o acaso estende os braços a quem procura abrigo e proteção…”
Acho que até a inspiração anda de mal comigo…
:S
August 30th, 2007 at 12:23 am
Lindo demais Jana… você melhor do que ninguém sabe expressar o que se passa em nosso íntimo.
Beijo grande!