A melhor hora do dia
Os dias seguem distintos lá fora,
mas aqui dentro não.
É como retroceder todas as manhãs
a imagem do sol aparecendo
por cima dos arranha-céus
e saber que nada muda entre minhas paredes,
apenas o sabor da comida,
que descansa no fundo dos pratos.
A dor no peito é física,
não metafórica,
a dor do poeta não é fingimento,
é fato-ato-coração pedindo pra parar.
O cão me olha e me toca com as patas,
como se buscasse na minha carne,
arranhando-arranhando,
um sorriso qualquer perdido
ou preso no buraco fundo do dente.
Já te disse, fitando seus olhos castanhos,
que a melhor hora do dia
é quando a chave gira na fechadura
e você entra, modificando a rotina,
jogando a poeira assentada para longe,
fazendo o ar se mover.
A melhor hora do dia é quando a espera termina,
quando o desejo se renova,
quando a dor de repente pára
e o coração continua a querer bater,
até que a noite se recolha,
o dia recomece,
e os ciclos sigam circulares,
atravessando os mesmos pontos,
marejando meus olhos órfãos de mar
e filtrando o riso pálido trancafiado no meu peito.

September 4th, 2007 at 3:43 pm
Amo tu!
September 4th, 2007 at 11:59 pm
Aqui, deste lado do hemisfério são 4:00. Tudo dorme.
Navegando, venho uma vez mais espreitar vc.
Gostei. O que li foi o q ouvi de vc noutro dia, só q agora vc lhe acrescentou a sua música.
Bjs de Portugal