Um dia te deixo, cidade
(Imagem: Fábio Brito)
Uma brisa silenciosa atravessa minha janela,
o único presente que esta cidade me dá,
enquanto penso em formas múltiplas
de me ver livre dela.
Cidade em degradê de cinza,
logo eu que sempre fui amante das cores,
me vejo enlaçada entre suas pernas,
sufocando grito e lágrima,
me espremendo nos metrôs cheios,
perdida nas veias-ruas tantas,
que serpenteiam só esperando
a hora certa do bote único.
Cidade fria de concreto,
ausente de corpo-quente-riso-mãos,
já te dei uma chance de me cativar,
e rejeitaste como quem rejeita a flor,
apenas por esta ter sido colhida da terra
e não comprada em floricultura de luxo.
Quando puder, cidade,
te deixarei vestida de luzes,
tecido fino bordado pela noite,
para não mais voltar a pisar em sua carne dura,
indiferente-nariz-ao-céu.
Voltarei sim um dia
é para minha terra solar,
vestido pobre de renda,
inundada de mar e riso,
de onde eu não deveria ter saído.
Não me arrependo no entanto
te ter caminhado pelas suas ruelas,
pois ganhei a consciência antes inexistente
da falta que minha cidade solar faz.
Ganhei a experiência da solidão,
dos braços vazios e do peito comprimido,
que levarei marcada pra sempre entre meus olhos nus,
testemunhas pulsantes do vazio.
Um dia te deixarei, cidade,
para nunca mais voltar.
Estou correndo para o chão-húmus-ventre
de onde saí, filha das entranhas,
de um chão-mãe que me acolhe,
que me envolve,
e que me faz adormecer
com a mente povoada de sons,
de cores múltiplas-misturadas e
sonhos tranquilos banhados de sol e mar.


September 9th, 2007 at 10:58 pm
Olhar essa imagem me trouxe mil lembranças à mente, e um texto escrito há um certo tempo.
Para a mesma imagem, interpretações tão diferentes e opostas, mas em comum um sentimento: saudade.
Saudade que aperta. Que parece uma lâmina a ir fundo dentro de nós…saudade.
Um abraço crec crec para seguir em diante
September 17th, 2007 at 1:20 pm
a nossa bahia de todos os santos,
menina, tem um colo quente
cheio de mimos e risos fartos.
tem um aconchego que não há
em nenhum outro lugar.
beijo pra vc
October 17th, 2007 at 5:32 pm
Jana Jana…não sou filha da Bahia, mas sou neta. E quem bem me abraçou e afagou nesta vida foi a doce brisa marinha do Porto da Barra (que saudade!)…Mas do amanhã não sei, não sei.
Recebe um ósculo em tua face.