Cru
Quero sua carne crua dissolvendo entre meus dentes,
o cheiro da vida escorrendo entre as pernas,
os fios molhados dos seus cabelos pós-banho,
quero seus olhos mergulhados
no embaraço de pontos de minha pele,
nua,viva, flor da noite.
Espalhe-se, meu bem,
nesta cama-corpo que te aguarda limpa,
cheirando a saudade e fim de dia,
a café solvido ao som de notas de violão,
luz artificial apagada,
janela escancarada-pernas
e brisa-aurora-noite que vem.
Beba da minha língua a água fresca,
que brota salivante ao te ver despontando
desta porta aberta banhada de lua,
esqueça, meu bem, o cheiro da rua,
os esbarrões, as sinaleiras,
e aconchegue-se nas minhas pernas-ninho,
lugar seguro e quente,
grama negra onde seu corpo se espalha,
onde cantamos mudos nossas canções.
Quero sua carne sem preparo,
sem retoques, sem artificialidade,
pois gosto mesmo é do desgrenho,
do caos que é vida,
do cheiro não disfarçado
do seu desejo que se renova
como fonte abundante e perene.
Deixe, meu bem, meus dedos ásperos
umidecerem-se no suor que brota de cada póro seu
e que a sede que acompanha nossas peles
saciem-se no beber farto nas nossas fontes.
Venha pra mim como canção não ensaiada,
como banho de mar no fim do dia
e como o fruto maduro colhido do pé,
que se entrega aos meus dedos
suave-passivo, saboroso e cru.

September 11th, 2007 at 5:30 pm
é preciso um pouco mais do que coragem, um pouco mais do que estômago, um pouco mais do que desejo pra (se) querer ainda cru… foi mesmo bom voltar aqui. 1 bj.
September 14th, 2007 at 1:49 pm
Nossa, que maravilhoso! adorei teu site, favoritei e vai virar leitura obrigatória!!! WOW!
September 16th, 2007 at 11:13 pm
Jana!!!
Como diria Vinicius..”Que todo amor seje eterno enquanto dure..”
E pelas suas palavras, eu digo..”E que esse calor seje imortal…”
September 17th, 2007 at 6:27 pm
fiquei alucinado com as imagens do poema
October 4th, 2007 at 4:51 pm
adorei!! gostei muito de sua pagina. quero voltar outras vezes por aqui. obrigado por seus texto. abraços junior.