Dor
Dor não se partilha,
não por avareza,
mas por impossibilidade.
Cada um sabe da intensidade de sua dor
e do limite de sua tolerância.
A dor é minha e a palavra não é paleativo.
Posso gastar dias tentando descrevê-la,
mas a palavra é limite,
não dá conta daquilo que é sentido
ou cura através da combinação livre das letras.
Queria não ser tecida por tantos filamentos nervosos,
mas abriria mão também do prazer,
então pago o direito do gozo
com a possibilidade irrefutável da dor por vir.
Negar a possibilidade da dor
nos faz abrir a mão da experiência do prazer.
A dor é minha e dela apenas eu sei.
Sei a cor e a sua intensidade,
sei do espaço que ocupa no meu peito,
sei das lágrimas que ela me faz verter,
tal qual ácido a queimar as retinas,
tal qual fel a ferver por dentro
o vermelho-vida que me sustenta.
A dor é sentida no silêncio ou no grito,
dissolvida pelo tempo, rio que ele é,
a fazer tudo que é pó misturar-se às superfícies líquidas das horas,
que nunca alteram seu curso rígido-sempre-pra-frente.
Vai, vai rio,
corre tempo,
cura minha dor,
transforme-a em pó,
desapareça,
sedimente-se no fundo do leito,
junte-se às minhas margens.
Vai, vai tempo,
cumpra-se como um funcionário burocrático,
que carimba papéis automaticamente.
Vai, tempo, não questione nada,
aperte seus parafusos, faça sua parte,
leve minha dor para longe
e depois me traga outras,
porque é este o preço que pago por insistir,
porque é este o preço que pago por viver
na tensão silenciosa do gozo,
na certeza avassaladora da dor,
que quando chega, espalha-se
e demora-se, como visita indesajada,
a ocupar o espaço que escolhe para se fixar,
ignorando o riso que antes existia lá,
ignorando os sonhos que moravam na extensão limitada do meu peito.

October 24th, 2007 at 10:45 am
Como se dá um forte abraço, pelo virtual?
Como te poderei transmitir o meu pesar?
Com a experiência q tenho, esta é hora da revolta, e só com o passar do tempo será amenizada.
Todas as boas lembranças ficarão para sempre connosco, e inevitavelmente serão partilhadas mais tarde com outros. Serão expostas como “transmissão de testemunho”, e assim eternizadas.
1 bj meu
a.
October 30th, 2007 at 9:10 pm
Oi Jana,
que bom encontrar um recado seu!
Gosto muito do que você escreve, com dor ou humor - inclusive do “mini”, que está me ajudando bastante. E já gosto de você por tabela, por causa de Luiz.
Um grande abraço,
Ana
October 30th, 2007 at 10:49 pm
A dor sem limites,
Que por segundo,
Parece uma eternidade,
A dor do amor,
A dor de viver,
A dor de esperar
E a dor de tentar entender,
O que nem se quer ira acontecer…
É assim Jana, nada como Pessoa já nos dizia..”Que todo poeta é um fingidor…” E parece que vamos ao longe, as vezes sem sentido, mas, com algumas razões…!
Bjs!