Dança das marés

November 1, 2007 por jana

Misturemos nossos finitos
nesta dança muda de corpos,
diminuindo distâncias,
invertendo lógicas,
zombando do tempo,
que teima passar e nos lembrar
da urgência-limite dessas nossas vidas.

Misture seu finito ao meu,
alongaremos assim nossos limites,
seremos oceano.
Renove-se em mim,
desague-se,
assim como bebo de sua fonte
e dela me alimento,
cresça entre minhas margens
e corra pra longe,
seja movimento,
afaste-se da quietude que nos ronda.

Ah, meu bem,
encurte essa distância que se coloca agora,
estreite-se nestes braços que te aguardam sempre,
como desejo cíclico que se renova
com a chuva silenciosa do nosso suor.

Venha que te espero como a barca perdida nos mares,
a esperar que um vento mais forte a leve para longe.
Venha que sou essas águas paradas esperando pelo milagre das ondas,
que busca o fundo,
que mistura terra,
que arrebata vida,
que faz a quietude cessar
e se fazer movimento.

Na categoria Carne exposta

2 comentários

  1. Leandro Jardim diz:

    Gostei bastante!
    Isso é ótimo:
    ¨Ah, meu bem,
    encurte essa distância que se coloca agora,
    estreite-se nestes braços que te aguardam sempre,
    como desejo cíclico que se renova
    com a chuva silenciosa do nosso suor.¨

    abs
    Jardineiros

  2. Andressa diz:

    “Misturemos nossos finitos
    nesta dança muda de corpos,
    diminuindo distâncias,
    invertendo lógicas,
    zombando do tempo,
    que teima passar e nos lembrar
    da urgência-limite dessas nossas vidas.”

    *suspiros* que versos…;)

    beijocas!

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