Pedido
Não pinte meu corpo com essas cores pardas, meu bem,
sou assim explícita, uns borrões de vermelho,
de sangue sou feita e pulso sonora,
sou coração e boca escancarada,
olhos brilhantes e pés buscando sempre o alto.
Não me aprisione na rotina dos dias,
renove-me como fonte que precisa de espaço para ser rio,
como luz artificial que deseja ser sol.
Aceite o desgrenho dos meus cabelos,
minha loucura sadia, minhas párabolas,
meus altos e meus poços.
Pule comigo sem medo das alturas.
Pule, com os dedos misturados aos meus,
pule, que a vida nos espera,
esqueça os almoços em família,
a conta do banco, as contas de luz,
sente-se ao meu lado e balance seu corpo
por cima de um mar de acertos e erros,
não tenha medo da queda,
estou aqui para ralar os joelhos e sangrar junto.
Ah, meu bem, não me pinte com as cores pardas da repetição,
não espere de mim exatidão, planos para o futuro, previdência privada.
Espere de mim movimento, tudo levado ao limite,
choro-riso-gozo-dor,
aceite o melhor e o pior de mim,
e entenda que tudo é complemento, parte,
um pouco pelo todo.
Aceite estas linhas, rabiscadas de madrugada,
que só te pedem um dia após o outro,
um minuto vivido sem à espera do seguinte,
apenas o agora,
apenas o momento,
apenas aquilo que for possível viver.

November 6th, 2007 at 10:09 am
A vida é isso mesmo: um dia, depois, quem sabe, outro. O bom é experimentar o sabor da refeição de agora sem procurar saber o da próxima. Muito bom, Jana!
Beijo
November 7th, 2007 at 6:05 pm
Muito boa….
Ler seus poemas e textos é um alívio frente ao caos que vivemos em nossas vidas.
Parabéns por esse belo trabalho. Rotina, rotina….. não é nada bom!!!
Parabéns!!!
Beijos
November 7th, 2007 at 8:01 pm
Manu e Dan-Dan, obrigada pelas palavras, meus queridos!
Beijos,
beijos e beijos,
Jana.
November 8th, 2007 at 4:26 pm
como sempre…..GENIAL!!!!
amei
bjs enormes
a.
November 9th, 2007 at 7:27 pm
Belo texto, Janis.
Saudade
:*