Do lado de dentro
Só te peço, meu bem,que despeje nossas rotinas nas almofadas espalhadas pelo chão,junto às nossas peças surradas de rua
e da correria da multidão,
que mora entranhada nas solas de nossos sapatos,
divididos em suaves prestações.
Deitemos nossas costas-pele-nua
neste chão mais tarde lavado por nosso suor,
que seja mar e rio onde navegaremos nossos sonhos,
onde misturaremos nossas pernas,
onde perderemos os pontos
em que você acaba e eu começo.
Quero apenas o vento frio adentrando as janelas
para ver você se aninhar na extensão dos meus braços,
na canção que toca suave,
nas palavras ditas como prece.
Saiba apenas o momento de calar
e fazer da língua tocando meu céu fibroso
a única canção que tocará firme para mim.
Só te peço, meu bem,
que enquanto você se despe de suas roupas batidas,
leve junto com a poeira suas negativas,
seus pudores fabricados,
seu medo de extravazar o limite dos rios.
Se vier para meus braços
que venha sem nada a cobrir corpo e vontade,
que o querer seja sua única direção,
a nortear seus passos no caminho entre minhas pernas.
E que esse chão que tem seu fim
ou a vida que um dia será ponto
sejam esquecidos como limite que são
e se tornem apenas palco e platéia,
onde apresentamos em carne nosso ato
e de quem não esperamos nem um aplauso.
E do lado de fora só esta brisa fria de fim de dia
adentra os espaços vazios entre nossas carnes.
O resto continua lá,
morando na velocidade diária das ruas.

February 17th, 2008 at 3:49 pm
Menina!
Lindo seu blog - e ótimos textos!
Fiquei de queixo caído com seu comentário lá no Bichinhos - até ddeixei nos recados que vou te chamar pra escrever a orelha do meu livro - assim que tiver um!
Beijo grande, querida!
February 19th, 2008 at 8:29 am
Caramba, que honra receber uma visita sua no meu campo de morango! Agora, ele ficou ainda mais especial pra mim. Acompanho e adoro teu trabalho há um tempão. Desde a época do “naselva”. Beijo grande!
February 26th, 2008 at 8:12 am
Ô minha Janis… Saudade que sua. Da sua, palavra; PULSANTE.
~^ ~Abraço~^^ ~