Arquivos dos posts
December 19th, 2008 by jana
Renovo-me como rio alimentado pelas chuvas,
como terra que recebe o húmus e fertiliza-se,
como canção, que ganha entonações diferentes,
no jogo do cantar entre tantas línguas.
Meu corpo é esta canção entoada sem refrão,
canção que aguarda seu fim,
mas que segue enfeitando os caminhos invisíveis do ar,
adicionando aos dias cada nota,
que são todas essas vivências colhidas no caminho,
dor-prazer-tristeza-festa.
A vida é o flamenco dançado entre vermelho e negro,
entre dias cinzas e solares,
entre o amanhecer e o crepúsculo.
A vida é esse mar entre tempestades,
que se permite ganhar águas tranqüilas,
espelho do sol a refletir brilho que é solitário.
A vida é vermelha,
é assim que a vejo,
explícita, quente,
averso do corpo.
A vida é rio perene,
que alimenta-se dos ciclos,
que transforma o que é hoje
em coisa assim, tão diferente,
propagando o que é silêncio em um instante
e cores vivas no outro.
Então sigo, hoje corpo, amanhã flores,
hoje carne, amanhã quem sabe,
mas sigo mesmo assim.
Renovando-me em cada paisagem que miro,
em cada afago que recebo,
em cada estrada onde ponho meus pés.
Arquivos dos posts
December 12th, 2008 by jana
Viver é fazer de cada dia não uma repetição,
mas uma singularidade,
digna de lembrança,
digna de contadores de história,
que transformam o banal em palavras que preenchem os vazios
e alimentam a alma.
Viver é sentir o corpo pulsar
e não rejeitar a urgência dos sentidos.
É não desprezar o agora,
esperando que outros agoras venham a surgir,
prontos a serem vividos quando a coragem se apresentar ao palco.
Mas a coragem vem mesmo é de dentro,
pulsando forte e quente,
sangue-vermelho-ritmo.
Há que se rejeitar o silêncio da rotina.
A vida é feita do que nos move e do que nos adormece.
Vivemos a tensão de duas forças:
uma a querer que continuemos,
outra a querer que paremos.
Escolhi seguir em frente,
buscando o calor que me acolhe,
o que me preenche,
o que me rege e
aquilo que me alimenta e é prazer.
Os dias cinzentos, deixo-os escapar
para trás das estantes das lembranças,
para os buracos negros,
onde tudo some e lá fica.
Ah… Hoje quero mesmo os dias solares,
o corpo que desejo,
as canções que me tocam,
os planos que me impulsionam,
a pulsão que me faz seguir em frente.
Porque a vida não é repetição monótona,
a vida deve ser a sucessão de momentos singulares.