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Carne exposta
Entre nossos corpos surrados,
nosso amor pulsa sonoro.
Em meus olhos o medo,
em seus olhos um caminho de desligamentos dolorosos.
Se a procura se fez
é que algo havia se perdido, entenda.
Não nos encontramos por acaso,
numa dessas tardes banais e sonolentas de inverno,
entre o cinza e o concreto,
entre café quente e conversas ensaiadas.
Sabíamos o que buscávamos
e do vazio que preenchia os dias.
Uma vez você me disse
que sou intensa demais.
Talvez seja mesmo, não sei ser de outra forma.
Por isso meu corpo dói tanto
quando você está longe,
quando sei que silenciosamente você também chora,
tentando juntar as peças
neste mar de estilhaços em que te vejo agora.
Sim, meu corpo dói.
Cabeça, estômago, garganta.
Tudo dói.
Mas não há dor maior
que te ver encolhido em meus braços,
homem transformado em menino,
braços que me acolhem,
a pedir que o carregue e faça a dor cessar.
Não tenha tanto medo das mudanças.
Movimentos são necessários para a vida acontecer.
O que seria da vida sem o movimento?
Uma espera?
Talvez.
De nada adianta tantas certezas,
se as mesmas não nos fazem rir
e nos sentir vivos,
meio crianças até.
Não tema voltar ao início.
Às vezes é preciso começar novamente
para sentir o corpo pulsar.
É como nascer e ter um mundo diante dos olhos.
Lembra quando você me ensinou
a forma mais eficaz de caminhar de mãos dadas?
Se eu cair, você me segura.
Deixe eu te ensinar agora,
que se você cair,
eu já terei aprendido a te segurar.
Não, meu amor,
não estou sangrando por nada.
Não estou aqui para uma foda e um adeus.
Estou aqui para a vida,
para os cafunés e para as lágrimas,
para o riso e para a dor.
Estou aqui por você
e te espero com a carne rôta e surrada,
com um corpo que é seu abrigo,
corpo perdido, que agora é só seu.
Por escolha,
por vontade.
Seu…
Não rejeite o que te ofereço,
mudanças são necessárias para a vida continuar.
