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Da sacada
Quando a noite chega
e tudo que vejo são luzes ao longe,
penso em você sozinho na sacada de sua casa.
Fecho os olhos e tento ser novamente
a criança de riso despreocupado,
que acreditava poder estar em todos lugares que quisesse,
apenas no abrir e fechar dos olhos.
Enquanto você caminha em seu pijama macio
e eu caminho nua pelo quarto,
tento colher a brisa silenciosa que sai de seus lábios.
Silenciosamente espero
o momento que nossas mãos se unirão
e caminharemos juntos,
deixando para trás tudo aquilo que nos causa dor.
O amor sempre atenua as feridas mais profundas.
Sim, fecho os olhos e você está ao meu lado.
Mesmo ausente,
sinto seus dedos caminharem entre meus cabelos,
seus braços afastarem o frio,
seu colo abrigar meu corpo surrado.
Minha pele silenciosa espera a sonoridade do seu corpo,
a entoar nosso amor como canção suave e intensa.
E quando a dor é intensa e o corpo parece não suportar,
me refugio em nossas linhas, canções e lembranças.
O amor não foi feito para desistentes.
Para se amar é preciso caminhar rente,
com o peito aberto e a alma em festa,
com as mãos livres para o enlaçar de dedos,
com os olhos brilhantes a alimentar chamas.
Logo eu… Logo eu que sempre temi falar do amor,
com o risco de parecer piegas ou ridícula,
agora não só entoo meu canto
como assumo todo o prazer e a dor
a ele alinhavados.
Não, meu amor, não há medo, não há dúvidas,
só uma espera.
Pacientemente te aguardo,
debruçada na janela deste quarto estranho,
colhendo no vento o pólen de seus beijos.
Espero, espero sim.
O corpo todo em festa,
eu vestida de amor,
os olhos gritando alegria
e todas as dores a se tornarem jornal de ontem.
Sigamos.
O amor não foi feito para desistentes.



