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Bicho
Eu sempre serei este bicho inquieto,
arredio-desconfiado,
passional e entregue,
dado a pensamentos que galopam.
Sempre serei este bicho destinado a andar sozinho,
as patas cravadas de espinhos,
o coração transbordante e tão contido.
Bicho que experimentou o amor em suas diversas nuances.
Sei do afago e sei das dores,
da crença e do descrédito,
sou bicho de colo, sou bicho de estrada,
tecido de sonhos e feridas.
Olho através das janelas,
o mundo tão grande e ainda tenho medo.
Bicho arredio e bravo,
bicho que mostra unhas,
que fere e que hoje teme os rasgos na carne.
E eu sempre serei este bicho arredio,
que conversa por dentro,
que se estanca e que devaneia,
nesta busca diária por um caminho de certezas.
