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O mundo é grande, baby, mas uns acham que têm mais direito de ocupá-lo do que outros

July 15th, 2007 by jana

Estava eu a vagar pela net, quando me deparei com o artigo de um senhor chamado José Maria e Silva, que assinava uma reportagem para o Jornal Opção, um jornal de Goiânia. O título do artigo deste senhor era “Movimento gay: a ditadura da depravação”. Eu acredito que o direito de expressão deve ser preservado, contanto que não venha ferir o direito do outro de viver. O artigo inicialmente visava fazer uma crítica a uma nota de jornal assinada pelo jornalista Liorcino Mendes Pereira Filho, presidente da Associação de Gays, Lésbicas e Transgêneros de Goiás, que convidava o público a conhecer o cine Gay Astor, que contava com dark room e que era também voltado para o sexo grupal. Inicialmente a proposta do jornalista José Maria era a de atacar o fato da nota ter sido publicada em um jornal de circulação e de que crianças teriam acesso ao que ele chamou de “apologia ao sexo grupal”. Ok, seu José. O artigo é extenso, então me reportarei ao mesmo aos poucos. A minha questão inicial é a seguinte: as novelas, exibidas em horário comercial, estão repletas de cena de sexo e de nudez, filmes são exibidos às 22 horas e não são poucos que também exibem cenas de sexo, então o que mais causaria preocupação? Uma nota que sai no jornal ou a novela que é exibida diariamente e que mostra casais em pleno ato sexual na telinha? O que tem mais projeção nacional? O artigo do supracitado senhor traz as respostas aos poucos. A preocupação do mesmo na verdade não estava associada ao cuidado com a mente virginal das crianças. O texto inteiro é uma sucessão de generalizações e ele prega abertamente sua homofobia e faz um convite aos leitores à intolerância. O problema não é a propaganda convocando a população para conhecer o Cine Gay Astor, o problema é se tratar de uma propaganda voltada para o público homossexual e é isso que mexeu com nosso caro jornalista.

Prosseguindo com o artigo, em um dado momento este senhor fala que “nas telenovelas e no discurso oficial do movimento gay, os casais homossexuais formam uma espécie de Sagrada Família do mesmo sexo. Para induzir a sociedade a aceitar a adoção de crianças por casais gays, a mídia vende a idéia de que os casais homossexuais vivem mais harmoniosamente do que os casais normais”. Opa, seu José, em que momento um casal homossexual não é normal? Ele não paga seus impostos, trabalha, vai ao mercado, limpa a casa, descansa no fim de semana? O que faz um casal heterossexual ser normal e um casal homossexual não ser? Eu não acredito que os casais homossexuais vivam mais harmoniosamente que um casal hetero, mas eles têm as mesmas condições de criarem uma família e inclusive de cuidar de uma criança. As novelas obviamente romantizam tudo, não aprofundam questões, pois estão mais voltadas, neste caso, à tentativa de conquistar um público consumidor que antes não era alcançado. As novelas tratam qualquer questão superficialmente, mas a questão de um casal homossexual ter o direito e a capacidade de criar uma criança e de constituir família é a mesma de um casal hetero.

Mais para a frente, o ilustre senhor continua o seu rosário de bobagens, criticando a Parada Gay e nos presenteia com a seguinte afirmação: “Sem contar as bolsas de pesquisas distribuídas pelas universidades públicas para os “estudos de gênero”, que quase sempre não passam de apologia da depravação gay”. Acredito que a Parada Gay é um momento importante para lembrar que há uma parcela da população que existe, que precisa ser respeitada como igual e que precisa de espaço. Durante a maior parte do ano, os homossexuais não raras às vezes precisam viver nos bastidores, ocultando suas vidas, por medo de retaliações e seria muito bobo afirmar que estas não existem. O momento da Parada é um momento de tentativa de diálogo e de mostrar que eles existem e precisam sim de espaço. Mas, o senhor José Maria, em um tom reducionista classifica tudo como depravação e apela para termos como “moral”, “decência”, como se estes conceitos fossem fechados e imutáveis. A moral e a decência são conceitos criados pelo homem e ele sabe muito bem se apropriar deles quando lhe é oportuno. Pessoas que se julgam no direito de apontar o que é moral e o que é decente, quase nunca reconhece a imoralidade ou a indecência de alguns de seus atos. O caminho mais fácil para se construir um discurso generalizante e exaltado como deste senhor é apelar para o senso comum, que já convencionou que homossexualidade rima com promiscuidade.

Depois, para fechar com chave de ouro, que para mim mais cabe como de latão, o senhor traz a Igreja para o centro das discussões. Ele toca no ponto da tentativa de criação da Lei Anti-homofobia, que punirá casos explícitos de homofobia, que serão julgados pela lei como crime, assim como os crimes de racismo. Acho que por artigos como deste jornalista, que usa um veículo formador de opinião para tentar catequizar a população a pregar a intolerância, que tal lei deveria sim ser votada e aprovada. Para evitar também que as pessoas sejam expulsas de locais públicos por tentarem viver normalmente suas vidas, sem que atos como este fiquem impunes. A questão não é gerar um mal estar, mas sim tentar educar as pessoas para algo de suma importância para que uma sociedade funcione: você não precisa concordar com algo para respeitá-lo. Você não precisa aceitar a homossexualidade (ninguém te obriga a isso), mas você precisa e deve respeitar o espaço destas pessoas e acima de tudo estas pessoas. A Igreja, sustentada por séculos pela fé do homem, não deveria servir para ditar regras ou estabelecer o que é bom e o que é mau. Maniqueísmo é reducionismo. Em vez de ficar classificando o que é normal, o que é pecado, a Igreja deveria servir de suporte aos que acreditam nela, um lugar de paz e de acolhimento, afinal, como dizem os crentes na figura divina de Deus, nós somos iguais diante de seus olhos. É uma pena que o discurso morra como discurso e as ações sejam tão contrárias e contraditórias.

Escrevi este texto por repúdio ao texto deste senhor. Como eu mesma disse no título do texto: O mundo é grande, baby, mas uns acham que têm mais direito de ocupá-lo do que outros. O supracitado jornalista é um exemplar que ilustra bem o título deste post. Ele falou tanto em perseguição religiosa e eu cá me pergunto o seguinte… Será que não é ele que está incitando uma perseguição em nome de um ideal? O que ele quer? Uma utopia mundial heterossexual-cristã? Há lugar pra todos, meu senhor, basta apenas nos ajeitarmos que dá, viu? Ou mais uma vez estaremos contribuindo para a tradição de uma história construída por apagamentos, silenciamento e exclusão.

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Orkut: da rede de amigos confiáveis às agressões e golpes. Permanecer ou sair?

June 12th, 2007 by jana

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Cresci ouvindo verdades absolutas, até que aprendi, talvez no jogo da tentativa e erro, que as verdades de um podem não ser a do outro. Acredito que toda tentativa de homogeneização é violenta, porque passa por cima da subjetividade dos indivíduos. Estava acompanhando o post “Desentendimentos na internet e ética” do Alessandro Martins, em que o autor fala da crescente onda de agressões no meio virtual e da dificuldade de se perceber que por trás de um monitor frio existe uma pessoa, com uma história de vida, com referenciais, que precisa não somente ser respeitada como também precisa respeitar o outro, para que não retornemos, como mesmo disse o Alessandro, à época dos tacapes.

Resolvi centrar o olhar em um recorte deste vasto mundo paralelo, que é a internet. O recorte, que anda chamando minha atenção, é a comunidade virtual Orkut. Em sua página inicial, encontramos um resumo do que seria esta comunidade. “O Orkut é uma comunidade on-line que conecta pessoas através de uma rede de amigos confiáveis”. Inicialmente, a idéia era essa. O espaço havia sido criado primordialmente para aproximar as pessoas, dinamizar os contatos, ou seja, para estreitar os laços de amizade. Com o tempo, a comunidade virtual cresceu e dentro dela comunidades menores, voltadas para reunir pessoas com interesses parecidos, foram se multiplicando. Comunidades voltadas para cinema, música, literatura, esportes, moda, cidades e tantos outros assuntos, que fazem parte da realidade fora dos monitores. O projeto é um sucesso, não há como dizer o contrário, mas a utopia de “uma comunidade que conecta pessoas através de uma rede de amigos confiáveis” vem sendo minada já há algum tempo.

Um lugar destinado ao estreitamento dos laços de amizade e ao surgimento até de novos laços vem sendo contaminado por uma onda de agressões, pela multiplicação de comunidades, que pregam a intolerância à diferença, como as comunidades homofóbicas, racistas, anti-semitas, entre outras e até a aplicação de golpes. Fiquem atentos, porque eles estão acontecendo. Eu mesma fui vítima de um no início do ano, mas tratarei deste ponto nos parágrafos mais adiante.

Não são poucas as comunidades cujos integrantes conjugam o verbo odiar com a mesma naturalidade que respiram. Não são comunidades do tipo odeio jiló, mas espaços em que a diferença não é só negada como também a ela são atribuídos valores. Os discursos vão do preconceito velado do tipo “não tenho preconceito em relação a … , mas prefiro que fiquem longe” até a agressão gritante. Em algumas comunidades, os integrantes ocupam seu tempo livre com a busca de perfis para serem malhados feito Judas no Sábado de Aleluia. Os tópicos são criados, o endereço dos perfis são colados no tópico e os integrantes da comunidade, munidos com seus paus-palavras, malham o indivíduo até a exaustão. Muitas vezes, e não são poucas, os perfis malhados são atacados por uma avalanche de recados, em que a violência verbal impera. É como invadir uma casa em que a janela e a porta vivem constantemente abertas. No Orkut, não há como impedir que estranhos visitem seu perfil, já que ele é público. No máximo podemos restringir algumas informações apenas para os amigos e bloquear visitantes indesejados, o que não impede que fotografias e perfis sejam copiados para serem atacados pela ilusão de uma falsa supremacia grupal.

Algumas pessoas já desistiram do Orkut por se sentirem feridas no seu direito de ocupar um espaço sem que sejam desrespeitadas. Muito pouco se pode fazer diante de uma agressão no espaço virtual. Quem ocupa-se da tarefa de disseminar a intolerância quase nunca mostra a cara. Os perfis fakes são mais comuns e são utilizados para protegerem a identidade do agressor e, apesar das comunidades, que pregam a intolerância e a violência, serem denunciadas, outras aparecem mais tarde e logo ganham adeptos. A impressão que tenho é que toda essa agressividade, que é sufocada no espaço dito “real”, está sendo extravazada no espaço virtual, ou seja, aquele que não pode agredir verbalmente alguém na rua, com o perigo de responder a um processo, está utilizando o meio virtual para verbalizar sua intolerância e desrespeito às diferenças, sem que responda por essa violência.

Outra questão, que também está atingindo e transformando este espaço, cuja utópica imagem era a de um local seguro, em que relações saudáveis entre os indivíduos seriam estabelecidas, é o uso da comunidade virtual como campo de aplicação de golpes. Como disse anteriormente, fui vítima no início do ano de um golpe, assim como algumas pessoas próximas. Eu participava de uma comunidade e organizei, juntamente com outros integrantes, um Orkontro, para que rompéssemos a barreira virtual. O Orkontro aconteceu e conheci algumas pessoas da comunidade. Um dos integrantes, no entanto, soube fazer uso do Orkut como forma de aplicar seus golpes. Ele criou um perfil e se auto-intitulava de produtor musical. Subentendo que as informações contidas nos perfis sejam verdadeiras, eu e mais algumas pessoas fomos enganadas pela ilusão da “rede de amigos confiáveis”. Eu estava de mudança para Sampa e queria vender minha guitarra, um presente que eu havia ganhado há dez anos atrás. O rapaz, que se apresentava como produtor musical, ofereceu-se para vender o instrumento e eu a entreguei, sem fazer com que o mesmo assinasse um documento se responsabilizando pela venda. Resultado: perdi a guitarra. Depois fiquei sabendo que o mesmo rapaz, que havia iniciado um namoro com uma das integrantes da mesma comunidade, aplicou-lhe um golpe e levou uma soma de 3000 reais dela e de seus amigos. Descobrimos então que ele não era produtor, que não morava na região que dizia morar, enfim, ele sumiu e continua impune e talvez esteja ainda no Orkut, aplicando novos golpes.

Remetendo novamente ao texto do Alessandro Martins, é importante realmente perceber que esse mundo virtual é tão real como este em que vivemos e que, por trás dos monitores, existem pessoas reais, que têm nas mãos o mesmo poder de construir e destruir as coisas. O homem tem a capacidade de construir aquilo que será utilizado ao seu favor e contra ele mesmo. É como ter entre as unhas o veneno e a vacina. Consigo ver pontos positivos no Orkut e por isso permaneço nele, mas também consigo ver o quanto este espaço está sendo utilizado para o extravazamento da violência contida na sociedade. Como fora dos monitores a intolerância é velada, por haver leis que, quando executadas, condenam os crimes contra os direitos humanos, temos a impressão de que a calmaria está instaurada, mas observando um espaço como o Orkut, que agrega pessoas reais, mesmo que estas se disfarcem por perfis fakes, vemos que estamos diante de um quadro de violência em ebulição e que já está experimentando o extravazamento. Não se pode pensar o Orkut como um espaço neutro, em que nada que se passa lá dentro tem repercussão fora, afina lde contas ele é uma extensão da nossa realidade. As pessoas são reais e aquilo que é dirigido a elas, seja positivo ou negativo, também tem repercussão real, portanto reitero o post do Alessandro e acredito que temos que ficar atentos para essa onda de violência e intolerância sim, assim como a onda de golpes, para nos protegermos sem que migremos do pólo do oba-oba completo ao da desconfiança profunda em relação a tudo que diz respeito à internet. Assim como não devemos sair às ruas sem olhar para os lados, desatentos a tudo, como também não devemos deixar de sair por medo, na internet as regras são quase as mesmas. Aproveitemos os recursos, mas atentos ao que fazemos e ao que os outros também fazem.

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Tatuagens, subjetividades e modismos

June 5th, 2007 by jana

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(Essa foto aí é da minha 5ª tattoo. Quando minha máquina deixar de ser birrenta, tiro fotos das novas e posto).

Esta semana eu estava batendo um longo papo com uma grande amiga de Sampa, a Lika, que está se preparando pra fazer a primeira tattoo. Não falo de uma preparação apenas relacionada à dor e ao que significa ter uma imagem eternizada na carne ao longo da vida. A preparação vem também da escolha do desenho e da significação que ele tem para as pessoas. As escolhas são subjetivas e o motivo pelo qual uma pessoa escolhe um símbolo, uma imagem, uma palavra, tem haver com a história pessoal daquele indíviduo, que sentiu necessidade de somar mais um item à sua construção identitária.

Sabemos que a forma como a tatuagem está sendo vista hoje já passou por um período forte de mudanças. O preconceito em relação às pessoas tatuadas ainda existe, mas acredito que numa escala muito mais suave do que a de anos atrás. A tatuagem estava sempre associada à uma imagem negativa, era marginalizada e muitas vezes restrita a determinados grupos. Hoje, no entanto, podemos perceber que houve um boom das tattoos e o que mais vemos é gente riscada por aí. Minha mãe outro dia me perguntou: - “Filha, você já parou pra pensar que na minha idade você terá o corpo todo tatuado?”. Eu respondi então: -”Mãe, eu e boa parte da minha geração”. Resolvi escrever sobre essa experiência, porque ontem passei por uma sessão para adicionar mais duas tattoos ao meu corpo, coisa que me dá um prazer grande e eu abstraio o incômodo, a ardência e às vezes até a dor, quando se trata de um local mais sensível, para poder ter no meu corpo imagens que fazem parte do meu imaginário e da minha construção como indíviduo.

Atualmente, tenho sete tattoos espalhadas e pretendo ainda fazer mais. Lembro que sempre quis me tatuar, mas como sou fóbica em relação às agulhas, havia um limite, algo que me impedia de entrar em um estúdio, sem imaginar o tipo de reação que eu teria diante das tais agulhas. Fábio foi quem me incentivou a vencer o medo, a me controlar em nome de algo que eu desejava para mim. Na época, ele já tinha três tattoos e o meu corpo era um papel branco sem rabiscos. Entrei no estúdio do Ailton (Dragon Art Tattoo), localizado em Brotas, na cidade de Salvador, e quase desisti na hora. Eu fui decidida a fazer o 80’s (Anos oitenta) nas costas, porque há vários anos cultuo filmes, canções, séries, desenhos e outros elementos relacionados à época, que nada têm haver com um outro boom modista em relação ao revival do anos oitenta. No mesmo dia decidimos tatuar nossas iniciais, como uma espécie de aliança maluca, por acreditarmos, depois de “trocentos” anos de relacionamento, que dava sim para crer que nos entendemos o bastante para permanecermos juntos. Qualquer coisa, eu transformo o F em “Foda-se” e ele transforma o J em, sei lá, jegue, bicho que ele cultua e admira.

Suando, pingando de medo, sentei na cadeira e esperei por um chilique meu, mas não veio. Segurei a onda, controlei ao máximo minha fobia e, enquanto as agulhas riscavam a pele, eu repetia um mantra que deu certo: “Não é agulhaaaaaaa, é um lápis… Não é agulhaaaaaa, é um lápissss”. Depois que tatuei o F e vi que a dor é suportável, tatuei depois o 80’s e aí pronto, acabei viciando. Será que é algo na tinta? Acredito que não. Comecei a procurar outros elementos, que faziam parte do meu imaginário, e pensar seriamente em trazer isso à tona através das tatuagens. Gosto muito de tubarões, mas não me imaginava com um bichano tatuado no corpo e olha que meu fascínio por estes animais não é pequeno. Uni então a minha paixão por eles à minha paixão por um desenho da década de 80, o Tutubarão, e pronto, lá está ele tatuado na minha perna esquerda. Minha quarta tatuagem foi um presente carinhoso de Carol Custódio. Ela me desenhou meio pin-up e hoje a Janinha mora na minha carne na perna direita. Tatuei depois o Snoopy no ombro direito, por ser um personagem de quadrinho que se destaca pela personalidade forte e independente, pontos que admiro em um ser humano. Ontem, entrei mais uma vez no estúdio e fiz a Leela, personagem do Futurama, desenho assinado pelo criador dos Simpsons, Matt Groening. Adoro a Leela, por ela ser uma mulher forte, mas ao mesmo tempo dotada de grande sensibilidade, por ser perspicaz e linda, mesmo não sendo um padrão. A sétima foi um desenho estilizado de um coração ligado à estética rockabilly, que me atrai muito. Muito vermelho e uma chama das quentes coroando tudo, porque tem que se ter muita paixão pelas coisas que nos propomos a fazer, a construir.

Tudo que resolvi eternizar (relativizando o sentido de eternidade, já que minha carne é perecível) foi escolhido de forma consciente e que tivesse ligação com minha construção c0mo sujeito. Nunca me tatuei porque um artista de televisão o fez ou porque é última moda entre os fashionistas. Não condeno ninguém que o tenha feito, mas é um caminho perigoso a tomar, já que a possibilidade de arrependimento é grande. Tatuar-se não é como mudar o corte de cabelo de acordo com as tendências. Para cabelos há jeito, para tatuagens só laser e olhe lá. Por isso, deixo uma dica aos marinheiros de primeira viagem! Escolham aquilo que tem haver realmente com você e não aquilo que está apontado como sendo bacana. Temos que trazer para nosso corpo o que julgamos adequado a ele. Tentar se ajustar a modelos pode funcionar como uma violência à nossa própria subjetividade. Há tanta coisa espalhada nos nossos álbuns internos, nos nossos catálogos de memória, que podem render imagens, símbolos e textos muito bons. Se é moda tatuar cogumelos alucinógenos, só tatue-os caso você tenha certeza de que aquilo é parte da sua construção identitária ou se é apenas uma estampa de uma tendência passageira, que escondemos no fundo dos armários quando a moda passa.

Quer se tatuar em Salvador e não sabe pra onde vai? Bom, indico o estúdio do Ailton, que foi onde fiz todas as minhas tatuagens. O estúdio localiza-se em Brotas. Procurar Ailton ou Tiago. O telefone do estúdio é (71) 3244-4000. Av. D. João VI, 13, Sala 105. Brotas. Salvador-BA. E-mails: ailtonme@terra.com.br/ ailtonart@hotmail.com